top of page

Ecologia dos Espíritos leva debate sobre cosmoecologias amazônicas e conservação ao PPGAS/Ufam

Foto do escritor: Ecologia dos Espíritos Site
Ecologia dos Espíritos Site
31 de ago.
2 min de leitura

Oferecido pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Ufam, em Manaus, curso será realizado de 28 de setembro a 2 de outubro e reunirá pesquisadores de cinco instituições brasileiras; inscrições já foram encerradas

Registro da Expedição Karajá. Foto: Eduardo Nunes/Ufopa
Registro da Expedição Karajá. Foto: Eduardo Nunes/Ufopa

O que acontece com o debate sobre conservação da Amazônia quando os espíritos também são considerados parte das relações que constituem a floresta? A pergunta guia o curso “Ecologia dos espíritos: conhecimentos tradicionais e conservação da sociobiodiversidade na Amazônia”, que será oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, entre 28 de setembro e 2 de outubro. As inscrições já estão encerradas.


O curso dialoga com as discussões realizadas no âmbito do grupo de pesquisa Ecologia dos Espíritos, vinculado à Iniciativa Amazônia +10. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (INCT Brasil Plural).


“Nas últimas décadas, diferentes pesquisas têm mostrado que a Amazônia não pode ser compreendida como uma floresta simplesmente natural e intocada”, afirma Thiago Mota Cardoso, professor do curso e coordenador do grupo Ecologia dos Espíritos. “A Amazônia é resultado de uma longa história de relações entre povos e comunidades, espécies animais e vegetais e a própria paisagem. Esse reconhecimento abriu espaço para que conhecimentos tradicionais ganhassem importância nas discussões sobre manejo e conservação da biodiversidade”, completa.


Nem todos esses conhecimentos, no entanto, são tratados da mesma maneira. Práticas como o manejo das roças e a dispersão de sementes são reconhecidas por sua relação com a biodiversidade, enquanto outros aspectos das cosmologias indígenas e tradicionais recebem menos atenção. Povos indígenas e comunidades tradicionais também falam de donos e mães de animais e plantas, encantados, santos, caboclos e outros seres que cuidam de lugares e participam da vida na floresta.


É sobre a presença e a ação desses seres que o curso vai se debruçar, a partir de etnografias sobre as relações que povos e comunidades amazônicas mantêm com eles.


“Em vez de reduzir esses seres ao folclore ou tratá-los somente como representações, o curso vai recorrer a diferentes experiências etnográficas para discutir como eles participam das relações entre pessoas, animais, plantas, lugares e paisagens”, explica Thiago. “Queremos pensar também o que isso pode significar para campos como a ecologia e a biologia e para as próprias maneiras de compreender a conservação da Amazônia".


Xamanismo, rituais, cuidado, regeneração e proteção da vida estarão entre os assuntos das aulas. A discussão passa também por conceitos da antropologia, como “espírito”, que nem sempre traduz os seres encontrados nas etnografias, e “floresta”, que tampouco se resume à vegetação. É nesse território que o curso propõe pensar uma “ecologia com espíritos dentro".


O curso será ministrado por Thiago Mota Cardoso, Silvio Sanches Barreto e Justino Sarmento Rezende, da Ufam; Eduardo Soares Nunes, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa); Miguel Aparicio, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); Nicole Soares-Pinto, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); e Rafael Victorino Devos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 
 
 

Comentários


bottom of page